Obras criadas nos últimos 10 anos de vida de Leonilson ocupam a Galeria Superfície | 22 de Julho

"Rios do mundo", década de 90. Acrílica sobre lona alinhavada. 104 x 119 cm

“Rios do mundo”, década de 90. Acrílica sobre lona alinhavada. 104 x 119 cm

Leonilson, que se tornou um dos mais importantes artistas contemporâneos brasileiros, explicita a vulnerabilidade da vida através de desenhos, pinturas e esculturas.

A segunda exposição da mais nova galeria da cidade, a Galeria Superfície, é dedicada aos últimos anos de vida do artista José Leonilson Bezerra Dias (1957-1993), conhecido apenas como Leonilson. Intitulada “Leonilson: Verdades e Mentiras”, a mostra, que conta com curadoria e texto da artista Leda Catunda, amiga de Leonilson, reúne obras de diferentes formatos, em sua maioria desenhos, pinturas, aquarelas e esculturas. São obras garimpadas em coleções particulares, entre elas, algumas nunca exibidas ao público.

A produção de Leonilson é um verdadeiro arquivo sobre sua vida, uma incansável busca de intensidade poética individual, onde a obra é o suporte e registro. Os últimos anos de sua vida foram marcados por um sentido de vulnerabilidade humana e na possibilidade de transcendência. A AIDS mudou o rumo da sua vida e marcou sua produção artística, conferindo-lhe uma terminologia final e irredutível.

O despojamento e a simplicidade característicos de sua obra, particulamente aos desenhos desse período, são tensionados pela morte anunciada e pela busca de sentido para a travessia da vida para o estado espiritual.

“Constrangido nas possibilidades de realização sexual, a AIDS trouxe-o não para a margem mas para o centro da questão. A energia do desejo encontra sua realização amorosa, agora conscientemente, na sublimação, que forja os interstícios da linguagem. O seu trabalho, em grande parte, sempre esteve envolvido com o sentido do ser, com sua identidade e com o exercício pleno da vida como únicos valores a serem procurados. Nesta etapa final da carreira, no entanto, seu interesse concentra-se na questão do corpo, do seu próprio corpo feito metáfora, buscando, através da arte, alguma possibilidade de transcendência. Leonilson se transforma no observador de seu próprio processo, revelando-se publicamente: o corpo é assumido em sua condição de máquina desejante, que contém mente e espírito e está em permanente embate com o mundo”, escreveu o curador Ivo Mesquita, no livro “LEONILSON: use, é lindo, eu garanto”, de 1997.

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