Instalação monumental de Artur Lescher ocupa a Piero Atchugarry Gallery, no Uruguai

Para compreender o impacto visual de “Inner Landscape”, instalação do brasileiro Artur Lescher na Piero Atchugarry, é preciso conhecer um pouco sobre o espaço em si. A galeria fica no interior do Uruguai e ocupa um estábulo restaurado. Para chegar nela é preciso percorrer uma estrada de terra. É um espaço elegante, ideal para Lescher – artista cujas obras investigam a relação entre o espaço da galeria e seu entorno – criar uma de suas instalações.

“Inner Landscape”, o título da exposição, sugere o tema da instalação site-specific. Nela, Lescher não apenas exibe o trabalho dentro da galeria; ele usa painéis coloridos e espelhos para transformar a própria galeria, criando uma troca entre o exterior e o interior. Os visitantes “ativam” a instalação ao entrar no espaço prismático e interagir com a instalação, como em um caleidoscópio em tamanho natural que coloca o espectador em seu centro.

O componente humano é fundamental em muitas das obras de Lescher e na arte neo-concreta, movimento brasileiro que teve grande influencia sobre ele. Neste trabalho, o foco é a experiência do espectador. Ao colocar o público e o ambiente no centro deste processo, o artista criou um evento excepcional onde cada indivíduo é o verdadeiro ativador de uma estética sugestiva e intrigante.

“Inner Landscape” permanece na Piero Atchugarry Gallery, Pueblo Garzón, Uruguai, até 10 de abril

 

Antonio Dias em “Papéis do Nepal”, na Nara Roesler do Rio de Janeiro

O artista Antonio Dias apresenta, a partir de 5 de agosto, uma parcela singular de sua produção multifacetada. Trata-se de seus papeis artesanais fabricados durante uma viagem ao Nepal, no ano de 1977. A mostra é uma imersão neste universo, proporcionando uma nova visão do conjunto da obra de dias a partir deste segmento.

Em “Papéis do Nepal 1977 – 1986”, muito mais do que funcionarem como suporte, os planos geométricos de papel artesanal são obras em si. Suas cores resultam da adição, durante a fabricação, de elementos naturais – como chá, terra, cinzas e curry -, incorporando o processo de produção como componente e mais um significante dos trabalhos. Realizados em conjunto com artesãos de uma fábrica de papel nepalesa, subvertem a questão da unidade autoral em sua gênese e mesmo em seus títulos, atribuídos por alguns dos trabalhadores, a exemplo de Niranjanirakhar – palavra nepalesa que significa “nada”.

Em entrevista, o próprio artista assim definiu a síntese deste trabalho: “O que mais me interessa é a relação entre a produção desse trabalho e de seus produtores… Ao mesmo tempo que se empenhavam materialmente na produção, alguns deles também imprimiam uma leitura simbólica ao produto”.

A mostra permanece em cartaz na galeria Nara Roesler do Rio de Janeiro entre 5 de agosto e 26 de setembro.

E-magazine #270 – Programação paralela a ArtRio | Turner | Vik Muniz

– Intensa programação paralela acompanha a 4ª edição da ArtRio, que começa hoje;
– Obra de Turner vai a leilão pela primeira vez desde 1878;
–  Individual com obras inéditas de Vik Muniz na Nara Roesler do Rio de Janeiro;

E mais: notícias da semana, agenda de exposições no Brasil e no Mundo, calendário de feiras internacionais e leilões de arte, além da seção “Em cartaz”, com as principais mostras em cartaz. Para ler na íntegra, clique aqui.

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Carlito Carvalhosa faz sua primeira individual na Galeria Nara Roesler

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Carlito Carvalhosa faz sua primeira individual na Galeria Nara Roesler a partir de 30 de agosto, trazendo uma megainstalação concebida especialmente para o espaço da galeria.
A obra consiste na suspensão de antigos postes de luz de madeira atravessando o espaço expositivo, mesclados a peças de vidro espalhadas pelo chão. Em alguns pontos, os troncos cruzam as paredes, que ajudam a sustentá-los no ar; em outros, são as intersecções entre dois ou mais deles que os mantêm no alto.

Na sala principal figuram os grandes artefatos de madeira, acompanhados de copos e lâmpadas fluorescentes, aqui acoplados ao fundo da sala. É como se o chão tivesse sido suspenso para a parede. Esse espaço expositivo inclui ainda cerca de 16 desenhos de pequenas dimensões criados como um “entalhe” na tinta azul. Na parte dianteira da galeria, a vitrine é tomada pelos copos e lâmpadas, dessa vez no chão e “atravessando” o vidro rumo à rua.

o conceito por trás da obra
Atravessando o cubo branco, os postes – peças inutilizadas de mobiliário urbano – são ressignificadas e ressignificam o local em que se inserem. Trazem para dentro da galeria o universo cotidiano constituído por elementos que são ao mesmo tempo natureza (toras de madeira) e ação humana (postes de luz). Em seu estado de suspensão no ambiente, que conserva e evidencia atos de propósito estético, esses troncos parecem eternizar o movimento pelo qual a cultura evolui do princípio selvagem para a complexidade do conglomerado criado pelo ser humano.

Tudo na instalação leva à percepção da atividade humana. Inclusive sua montagem, que não só mantém nos troncos os antigos anéis de metal da extremidade como também deixa visíveis as grandes porcas e parafusos que prendem as braçadeiras das junções. A matéria parece não sofrer ação da gravidade. A galeria passa então a ser a guardiã da suspensão no tempo e no espaço da natureza convertida em cultura. E nisso se configura seu caráter de arte: na articulação dos dois pólos que constituem o ser humano e na impressão de eternização do transitório.

Os copos e as lâmpadas espalhados pelo chão emprestam uma sensação de fragilidade à aparência da queda iminente, mas encenada de forma estática, como se pudessem se quebrar a qualquer momento. A ação da matéria natural (o tronco de madeira) se sobrepõe à cultura (o vidro trabalhado pelo homem), mostrando a suscetibilidade desta.

Como define o historiador da arte Lorenzo Mammi, “certamente, o paradoxo da imobilidade do transitório não é próprio apenas do trabalho de Carvalhosa, mas de toda a arte, se não de toda forma. Toda formalização é um ato de soberba, natural é desfazer-se. Mas nas obras de Carvalhosa a questão parece adquirir uma inquietude mais intensa, que a torna central. Não há muitos trabalhos de outros artistas em que fique tão evidente que formalizar é estancar uma matéria que escoa, estabelecer um corte horizontal numa descida lenta, mas impossível de se deter para sempre. O trabalho de Carlito Carvalhosa fala da convivência desconfortável de tempo e eternidade.”

Vik Muniz & Tal Danino — conversa | Galeria Nara Roesler | 16.08.2014

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A obra de Vik Muniz vai muito além do que o olho humano pode ver. Quem se depara com suas fotografias em grandes dimensões pode perceber que suas superfícies são apenas as mais evidentes de várias outras camadas, o que faz do artista um dos nomes mais conhecidos da arte ao redor do mundo. Partindo de uma residência no Massachussets Institute of Technology (MIT), ele radicalizou sua pesquisa de materiais com o uso de alta tecnologia para desenvolver suas duas novas séries, Sandcastles e Colonies. Ambas são a fusão da engenhosidade artística e do trabalho científico de ponta de nomes especializados, como o bioengenheiro Tal Danino. O cientista é o convidado de Vik Muniz na conversa que a Galeria Nara Roesler promove no dia 16.08, às 11h30, quando o artista traz ao público os bastidores dessa empreitada inovadora.

Danino e Vik Muniz trabalharam juntos na criação de sua série Colonies. Passando pelo processo de trazer o microscópico à visão comum, essa série é fruto de uma pesquisa que envolve bioengenharia de ponta. Tal Danino tem vasta pesquisa sobre as dinâmicas espaço-temporais de sistemas biológicos artificiais para aplicação precursora em energia, meio-ambiente e saúde. Uma de suas frentes é a identificação de bactérias que podem ajudar no diagnóstico de câncer. As imagens de padrões criados por determinados tipos de células com câncer, como as do fígado, fascinou Vik Muniz, que as reproduziu em grande escala. O resultado lembra estampas de arabescos e adamascados decorativos.

Já em Sandcastles, a bioengenharia cede lugar ao desenvolvimento eletrônico em nanoescala. Isso porque os trabalhos consistem em fotografias de microscópicos grãos de areia, nos quais são gravados castelos europeus. Esses castelos foram desenhados pelo próprio Vik com ajuda da camera lucida, um equipamento que projeta sobre o papel o objeto a ser reproduzido por meio de um jogo de espelhos. Com ele, o observador só precisa passar o risco sobre a imagem que já está refletida no papel.

Mas como gravar em grãos de areia desenhos complexos de grandes castelos? Foi nessa etapa do processo que outro profissional do MIT, Marcelo Coelho, foi de inestimável colaboração. O artista e designer desenvolveu em uma máquina do MIT a técnica de gravação dos desenhos nas minúsculas bases, com o uso de um feixe de ion focalizado e um microscópio escaneador de elétrons. Vik eternizou as gravuras em fotografias em negativo ampliadas em tamanhos colossais.

Com essas premissas, a conversa com Vik Muniz e Tal Danino promete ser uma instigante viagem aos limites da visão humana e às formas de subvertê-los, tornando evidentes nuances e padronagens impossíveis de serem alcançadas a olho nu. Assim, o artista amplia sua pesquisa artística sobre a representação, provando mais uma vez que nem tudo que vemos é exatamente o que parece ser.

Conversa com Bruno Dunley, Leda Catunda e Agnaldo Farias na Galeria Nara Roesler

Vista da exposição “No lugar em que já estamos” – Foto Everton Ballardin / Divulgação

Encerrando a exposição “No lugar em que já estamos”, de Bruno Dunley, a Galeria Nara Roesler promove um bate-papo amanhã, 7 de maio, a partir das 11h30.

Além do artista, participam do encontro o crítico e curador de arte Agnaldo Farias e a artista plástica Leda Catunda, abordando o universo pictórico de Bruno Dunley.

A Galeria Nara Roesler fica na Avenida Europa, 655, em São Paulo.

Galeria Nara Roesler na feira The Armory Show

A Galeria Nara Roesler participa pela terceira vez da The Armory Show, feira que acontece em Nova York, de 6 a 9 de março.

Nesta edição, a galeria exibe Relevo Progressivo (1988), de Abraham Palatnik, pioneiro da arte cinética no Brasil.

Paulo Bruscky mostra Enterro Aquático I, que registra ação feita em Recife, em 1972. Bruscky é artista homenageado em mostra individual atualmente em cartaz no Bronx Museum, Nova York.

Vik Muniz apresenta Colonies: Liver Cell Pattern (2014), obra inédita da série desenvolvida em sua residência no MIT, na qual células e bactérias são organizadas em padrões abstratos.

O artista britânico Isaac Julien mostra Hotel (Ten thousand waves) (2010), parte da série homônima recentemente exibida no MoMA, em Nova York.

Lucia Koch, que acaba de ser premiada com o Wexner Center Artist Residency Awards, apresenta produção recente.

Também trazem trabalhos recentes Artur Lescher, Paul Ramirez Jonas, Sérgio Sister e Raul Mourão, este último está atualmente em cartaz na Galeria Nara Roesler, em São Paulo, com a mostra MOTO.

Art Basel Hong Kong divulga a lista de participantes de sua segunda edição

A menos de quatro meses da sua segunda edição, a Art Basel Hong Kong acaba de publicar a lista das galerias participantes. A feira acontece entre 15 e 18 de maio no gigante Hong Kong Convention and Exhibition Centre.

Em parceria com a UBS, a Art Basel Hong Kong contará com 245 galerias de 39 países ao redor do mundo. A seleção inclui 24 galerias que têm espaços de exposição em Hong Kong e por isso os visitantes podem esperar para ver parte do melhor da arte local.

Entre as galerias presentes, estarão as brasileiras Casa Triângulo, Mendes Wood e Nara Roesler.

Clique aqui e confira a lista completa das galerias participantes.

Lançamento livro Laura Vinci + encenação “O Duelo”

A Galeria Nara Roesler convida para o lançamento do livro sobre a obra de Laura Vinci, publicado pela editora Cosac Naify e pela APC – Associação para o Patronato Contemporâneo, realizado através do apoio do Ministério da Cultura e do patrocínio da Souza Cescon Barrieu & Flesh Advogados, no dia 10 de dezembro, a partir das 19h

O evento é marcado pela exposição de duas instalações recentes em diferentes espaços da galeria, além de registros e encenação de trecho de O duelo – peça teatral que tem cenografia e direção de arte assinadas pela artista. As apresentações acontecem em dois horários: às 20h e às 22h.

A mostra segue até 20 de dezembro e comemora o encerramento da temporada do espetáculo em São Paulo, onde fica em cartaz até 15 de dezembro, no Centro Cultural São Paulo.

Galeria Nara Roesler exibe retrospectiva de Julio Le Parc, mestre da arte cinética

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A exposição “Uma busca contínua” é uma retrospectiva totalmente dedicada à trajetória e às obras do argentino Julio Le Parc. O resultado é uma compreensiva seleção de trabalhos produzidos pelo artista nos últimos 55 anos, alguns dos quais em grande formato, além de uma instalação inédita concebida especialmente para a ocasião.

Com curadoria de Estrellita B. Brodsky (respeitada colecionadora e curadora, especialista em arte da América Latina), a mostra ocupa o jardim interno, o pátio e andar térreo da galeria.

Ao lado de outros artistas, Julio Le Parc foi um dos criadores do Group de Recherche d’Art Visuel (1960-68), coletivo de artistas ótico-cinéticos, cujo objetivo principal era estimular a interação do público com as obras. O trabalho de Le Parc é fruto direto deste movimento.

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Apesar de seu papel fundamental na história da arte cinética, as telas, esculturas e instalações de Le Parc incluem questões relativas aos limites da pintura, por meio tanto de procedimentos mais próximos da tradição pictórica, tais como a acrílica sobre tela, quanto de assemblages ou aparatos mais propriamente cinéticos.

“Julio Le Parc – Uma busca contínua” fica na Galeria Nara Roesler até o dia 30 de novembro, com entrada gratuita.